sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Alfabetização Matemática

Alfabetização Matemática

Aprender e ensinar Matemática na Educação Infantil

A criança, desde o nascimento, está imersa em um universo do qual os conhecimentos matemáticos são parte integrante. A Educação Infantil representa uma etapa muito importante no processo de ensino e aprendizagem na vida do aluno.
Na Educação Infantil, o trabalho com noções matemáticas deve atender, por um lado, às necessidades da própria criança deconstruir conhecimentos que incidam nos mais variados domínios do pensamento e, por outro, precisa corresponder a uma necessidade social de melhor instrumentalizá-la para viver, participar e compreender um mundo que exige diferentes conhecimentos e habilidades.

Objetivos do ensino da Matemática na Educação Infantil

Segundo o Referencial curricular nacional para a Educação Infantil, "a abordagem da Matemática tem a finalidade de proporcionar oportunidades para o aluno a fim de que possa se comunicar matematicamente, ou seja, descrever, representar e apresentar resultados argumentando a respeito de suas conjecturas, utilizando, para isso, a linguagem oral e a representação por meio de desenhos e da linguagem matemática." (Ministério da Educação e do Desporto/Secretaria do Ensino Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998.)
As normas para o currículo e a avaliação da Matemática escolar, do National Council of Teachers of Mathematics, afirmam:
"[...] representar, falar, ouvir, escrever e ler são competências de comunicação e devem ser encaradas como parte integral do currículo de Matemática. Questões exploratórias que encorajam a criança a pensar e a explanar o seu pensamento, oralmente ou por escrito, ajudam-na a compreender claramente as ideias que quer exprimir."
(National Council of Teachers of Mathematics (NCTM). Worthwhile mathematical tasks. In Professional standards for teaching mathematics. Reston, VA: National Council of Teachers of Mathematics, 1991. p. 34.)
Brincando, jogando, cantando, ouvindo histórias, o aluno estabelece conexões entre seu cotidiano e a Matemática, e entre a Matemática e as demais áreas. A presente coleção, portanto, valoriza e propõe situações didáticas que estimulam e provocam a necessidade de interação entre o aluno e você por meio de diálogos constantes, troca de ideias e socialização de descobertas, visando sempre ao desenvolvimento das habilidades descritas a seguir e que constam do Referencial curricular nacional para Educação Infantil.
  • Estabelecer aproximações de algumas noções matemáticas presentes em seu cotidiano, como contagem, relações espaciais etc.
  • Reconhecer e valorizar os números, as operações numéricas, as contagens orais e as noções espaciais como ferramentas necessárias ao seu cotidiano.
  • Comunicar ideias matemáticas, hipóteses, processos utilizados e resultados encontrados em situações-problema relativas à quantidade, ao espaço físico e à medida, utilizando a linguagem oral e a linguagem matemática.
  • Confiança em suas próprias estratégias e em sua capacidade de lidar com situações matemáticas novas, usando os conhecimentos prévios.
(Ministério da Educação e do Desporto/Secretaria do Ensino Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998.)

A oralidade e a Matemática

Desenvolver a oralidade na Educação Infantil expande o universo de comunicação da criança. No entanto, durante muito tempo o ensino da Matemática esteve centrado na escrita, excluindo quase que completamente a fala, a oralidade.
A comunicação auxilia na organização do pensamento, promovendo o intercâmbio social. Quanto mais oportunidades o aluno tiver para falar, escrever, desenhar, compartilhar sentidos e refletir sobre sua ação e a dos colegas, mais forte será a apreensão do significado do que está sendo trabalhado.
Segundo Smole:
"Ouvir, falar, ler, escrever, desenhar são competências básicas para que os alunos aprendam conceitos em qualquer tempo e servem tanto para levá-los a interagir uns com os outros quanto para que desenvolvam uma melhor compreensão das noções envolvidas em uma dada atividade, pois qualquer meio que sirva para registrar ou transmitir informação incentiva a capacidade de compreensão e de análise sobre o que se está realizando."
(SMOLE, Kátia Stocco; DINIZ, Maria Ignez (Org.). Ler, escrever e resolver problemas: habilidades básicas para aprender Matemática. Porto Alegre: Artmed, 2001. p. 25.)
Nesta coleção, procuramos destacar a necessidade e a importância de se integrar e articular diferentes formas de linguagens e comunicação: oral, gestual, pictórica, textual, matemática. Para isso, o aluno é frequentemente estimulado a comunicar os próprios pensamentos e criações, e a trocar ideias com os colegas, a fim de que adquira modos de expressão cada vez mais elaborados à medida que constrói os próprios conhecimentos.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Professores para a era digital

Professores para a era digital

Em entrevista, Martha Gabriel, mestre e PhD em artes pela USP, defende a formação digital dos professores para transformar a escola

Fonte: Zero Hora (RS)


Nos últimos anos, as novas tecnologias e as redes sociais alteraram o cenário das relações humanas no mundo todo. E a sala de aula não ficou imune, pelo contrário, é um dos principais espaços onde essas provocações contemporâneas têm exigido transformações significativas.
O livro Educ@r – A (R)evolução Digital na Educação (262 páginas, R$ 49), de Martha Gabriel, aborda os desafios que essas mudanças apresentam para Professores e estudantes. A obra, da editora Saraiva, apresenta os impactos da revolução digital na sociedade e também coloca o tema dentro do ambiente Escolar.Em entrevista a Zero Hora, Martha, que é formada em Engenharia na Unicamp, tem pós-graduação em Marketing pela ESPM e é mestre e PhD em artes pela USP, defende a formação digital dos Professores para transformar a Escola. No próximo dia 31, a autora estará em Porto Alegre participando do Seminário Desafios do Crescimento, promovido pelo Sebrae, no Centro de Eventos Plaza São Rafael.
A inscrição é gratuita e pode ser feita pelo 0800-570-0800.Confira ao lado trechos da entrevista, concedida por e-mail.
Zero Hora – Pesquisas apontam que os Professores, no Brasil, ainda utilizam pouco as novas tecnologias em sala de aula. Mesmo adolescentes de baixa renda têm acesso a essas tecnologias muito mais em casa do que na Escola. Qual deve ser a principal ação do governo para acelerar esse processo na rede pública?
Martha Gabriel – As tecnologias digitais horizontalizaram o acesso à informação e têm modificado profundamente o aprendizado – tanto no que se refere à cognição como em seu modelo, que é muito mais descentralizado (o estudante tem na internet inúmeras opções de conteúdos para acessar além da Escola, do Professor e das bibliotecas) e personalizado (o ritmo de acesso e os tipos de conteúdos são determinados pelo estudante). No entanto, os estudantes têm abraçado o digital mais rapidamente do que as instituições de Ensino.
Acredito que a única solução para conseguirmos Professores e Escolas digitais é a Educação digital dos Professores. A disponibilização de tecnologias de acesso (wi-fi) e hardware de acesso (tablets, notebooks, laboratórios etc.) é desejável, mas não adianta nada se Professores não souberem como utilizá-las. É importante salientar que saber utilizar o ambiente digital na Educação não se refere apenas a saber como “operar” dispositivos mas sim, e principalmente, a saber como articular tecnologias e conteúdos digitais em conjunto com os analógicos de forma a aproveitar da melhor maneira possível esses ambientes para a Educação.
ZH – Muitas vezes, os Alunos conhecem melhor as novas tecnologias. Como o Docente pode tirar proveito dessa diferença?
Martha – Os jovens tendem a ter fluência maior com as novas tecnologias digitais. No entanto, essa fluência normalmente ocorre em um nível superficial. Eles usam essas tecnologias de forma a solucionarem problemas cotidianos, como estar em contato com amigos, jogar, buscar a informação que desejam, mas sem um conhecimento mais profundo.
O Professor, por sua vez, mesmo não tendo a mesma velocidade de adoção das novas tecnologias, tem maturidade e preparo para relacionar conteúdos e causar reflexão, que podem auxiliar os Alunos em suas atividades diárias. O Professor também pode conhecer tecnologias digitais, mas provavelmente não serão as mesmas que os Alunos conhecem bem. Isso é excelente e favorece a troca de conhecimentos e uso de habilidades com aprendizado mútuo.
ZH – Quais devem ser os limites nas relações entre Alunos e Professores?
Martha – Acredito que, de forma geral, seja muito complicado que Professores e Alunos sejam “amigos” nas redes sociais que frequentam, pois isso provoca uma sobreposição das vidas pessoais de ambos, o que pode não ser interessante para a relação profissional.
No modelo tradicional de Escola, existiam barreiras físicas que delimitavam naturalmente a relação Aluno-Professor. Na era digital, essas barreiras não existem e é essencial que o Professor determine quais limites devem ser mantidos. A melhor solução para isso normalmente é o Professor separar perfis pessoais e profissionais e se relacionar com os Alunos nos perfis profissionais.
ZH – No livro, a senhora apresenta o conceito de “troll”, relacionado àquele Aluno que desestabiliza o ambiente, com provocações que pretendem provocar conflitos. Como esse tipo de comportamento se diferencia do bullying?
Martha – Apesar do termo “troll” se popularizar com a internet, o comportamento “troll” é antigo e todo Professor conhece. O “troll” é aquele Aluno que atrapalha a aula, faz brincadeiras ou provocações para desestabilizar e gerar conflitos. Já o Aluno questionador, mesmo quando é desafiador, não tem comportamento provocativo.
Todo Professor já teve um Aluno “troll”, e a única maneira de lidar com eles é reverter o cenário e fazer com que ele perca a força perante os colegas que o apoiam. Já o bullying, que também é antigo e que já acontecia na sala de aula tradicional, é um comportamento agressivo em direção a uma pessoa – que normalmente são outros estudantes, mas que pode também, eventualmente, ser o Professor.
O “troll” atrapalha, mas normalmente não se vale de formas de violência e não é ilegal. Se antes esses comportamentos estavam confinados no ambiente físico da Escola e no horário das aulas, agora eles podem continuar depois do horário Escolar e invadir a casa das pessoas por diversas mídias – redes sociais, mobile etc.
ZH – A senhora diferencia hábitos e vícios digitais. Como os pais podem identificar quando a criança ou o adolescente ultrapassa essa linha tênue?
Martha – O ambiente digital traz consigo inerentemente novos hábitos e também novos vícios. No entanto, acredito que a diferença entre hábito e vício possa ser generalizada para qualquer tipo de comportamento. Enquanto os hábitos podem ser positivos ou negativos em relação ao modo como afetam as nossas vidas, eles normalmente não estão associados a crises de abstinência.
O vício, por outro lado, está sempre associado a comportamentos que causam efeitos negativos nas nossas vidas e vêm acompanhados de crise de abstinência. Acredito que, quando um novo comportamento surge na vida do filho – seja ele digital ou não –, o primeiro passo dos pais deve ser observar se esse comportamento em questão está causando efeitos bons ou ruins.
Se os efeitos forem ruins, pode ser um mau hábito ou um vício. Se o filho apresenta sinais de irritação quando afastado do comportamento e sente uma necessidade latente constante de retornar a ele, provavelmente está relacionado a um vício. É importante notar que, no caso dos hábitos digitais dos filhos, para um diagnóstico correto, muitas vezes os pais precisarão de ajuda.
Zero Hora – As novas tecnologias precisam ser incorporadas às práticas educacionais, mas são capazes de substituir a Educação tradicional?
Martha – Enquanto o ser humano tiver uma dimensão de vida offline, acredito que nada substitui a nossa experiência nessa dimensão. O online vem acrescentar uma camada digital no mundo e penso que é justamente a integração dessas duas dimensões – online e offline – que proporcionam as melhores experiências.
O digital sem o offline é manco, e o offline sem o digital é limitado. Assim, conforme as pessoas utilizarem cada vez mais a camada digital, precisaremos integrar as experiências nessas duas camadas, de forma transparente. No caso da Educação, as práticas tradicionais não são necessariamente substituídas, mas são, principalmente, modificadas e ampliadas pelo digital. Na minha opinião, a única forma de equacionar essa integração constante que se apresenta entre tradicional e digital é a Educação contínua dos Professores.


 http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/28713/editorial-professores-para-a-era-digital/


A importância da tecnologia em sala de aula


A importância da tecnologia em sala de aula

Crédito: iStock Photo(D)

O uso das novidades auxilia a aprendizagem daqueles que possuem deficiência visual ou auditiva.

Crédito: iStock Photo(D)

É importante que o professor saiba que, mesmo com as novidades tecnológicas em sala de aula, é imprescindível a participação do docente no processo de ensino.



 



Embora muitos docentes ainda não tenham se adaptado às inovações tecnológicas em sala de aula, é fundamental que saibam de sua importância para a educação.

Enquanto, para alguns alunos, a adaptação à tecnologia no ambiente escolar é fácil, muitos professores enfrentam um dilema com a inovação, que está cada vez mais  presente no cotidiano estudantil.

Além de preparar os jovens para o mercado de trabalho com as tecnologias atuais, o uso das novidades auxilia a aprendizagem daqueles que possuem deficiência visual ou auditiva. Alguns programas usados possuem a capacidade de ler para o cego o que está escrito no site, e outros, por exemplo, permitem que um texto seja escrito através de um comando de voz. De acordo com a última pesquisa feita pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 24,5 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência, seja ela física, mental, auditiva, múltipla ou visual.

Mesmo que seja um benefício para o educando ter uma aula com um professor que saiba bastante sobre a internet, alguns docentes possuem várias dificuldades com relação aos avanços da tecnologia. Seja por falta de tempo ou até mesmo por falta de motivação, nem todos estão preparados para se integrar ao processo veloz das mudanças tecnológicas no ambiente escolar.

De acordo com Neuza Ribeiro, pedagoga e especialista em Tecnologia Educacional, a grande maioria dos docentes ainda não se adaptou ao uso das tecnologias com o pedagógico. Sobre o futuro nas escolas, a entrevistada acredita que mudanças irão ampliar as possibilidades de ensino, e quem não aceitar a novidade ficará de fora do mercado de trabalho. Para Neuza, o maior problema não é falta de empenho; a grande dificuldade é a má formação que os educadores têm nas universidades, que não os preparam para lidar com as tecnologias.

É importante que o professor saiba que, mesmo com as novidades tecnológicas em sala de aula, é imprescindível a participação do docente no processo de ensino. Ele não perderá espaço, só trabalhará de uma maneira diferente, em que aluno e mestre se unem  à tecnologia em busca da melhoria dos processos de aprendizagem